Edição 4 - DE QUE FORMA PODE PORTUGAL EQUILIBRAR AS SUAS CONTAS?
EDIÇÃO 4 - ECONOMIA POSITIVA 3/12/2020
Um bom dia para o "eu" do futuro e para os leitores que um dia tenham o azar de vir aqui parar.
Recentemente promovido a toupeira e com uns óculos estilosos, começa assim a quarta edição de Economia Positiva.
Atualidade económica, social e política
- Portugal não tem plano de vacinação da covid-19. Chamar ao que a DGS afirma que é um plano de vacinação é ridículo e ofensivo para os países que têm um plano de vacinação. Países como Alemanha, Reino Unido e França criaram o plano de vacinação entre abril e junho. Portugal tal e qual.
-Web Summit: Cientistas portugueses vencem prémio para combater a poluição nos oceanos. Fonte: capitalverde- eco sapo
- Parlamento vota prolongamento do confinamento até dia 7 de janeiro. Fonte: Observador.
De que forma pode Portugal equilibrar as suas contas?
Esta pergunta tem estado a pairar na minha consciência nas últimas semanas. Um país como Portugal, com as suas contas muito desequilibradas, com uma dívida pública a corresponder a 134% do PIB, com um défice nos 8% (segundo uma estimativa do FMI), défice esse que corresponderá a dívida nos próximos anos.. A depender muito de setores como restauração e turismo e a vivermos possivelmente uma crise pior que a de 2010 e que já teve três programas de ajustamento.
Como equilibrar as contas ? Esta é uma pergunta interessante de se pensar se se retirar o paradigma político da equação.
Está mais que visto que um país como o nosso quando adota políticas de enriquecimento através do consumo não vai a lado nenhum. Porém quando é para apertar o cinto o povo também não simpatiza muito com essa ideia. A que se deve isso ? Várias são as razões, a principal, na minha opinião, não é só o facto dos portugueses serem subsídio-dependentes, mas também de não saberem gerir o seu dinheiro.
Os contribuintes portugueses têm três opções de utilização do seu dinheiro: pagar, poupar ou investir. Para quem recebe o salário mínimo nacional e tem que sustentar uma família, falar em investimento e poupança pode ser ofensivo eu sei, mas isso é assunto que deve tratar o governo, mas para quem é da classe média e alta a questão não é assim tão descabida.
Pensando agora no dinheiro que vem da europa, como deve ser aplicado de forma a não fazer os portugueses reféns de mais um empréstimo europeu e a não desequilibrar mais as contas públicas?
Infelizmente, até agora só tenho perguntas e não respostas, mas talvez quando reler isto, daqui a uns anos, espero ser capaz de responder a algumas das minhas mais profundas dúvidas.
Para começar, e como Portugal já teve três intervenções do FMI e três pré-bancarrotas, era importante que fosse uma entidade externa livre de lobbies e interesses, a gerir o dinheiro da bazuca financeira, principalmente, tratando-se de um empréstimo e não de dinheiro a fundo perdido.
Penso que uma das formas tentar equilibrar as contas começa por definir um plano e uma estratégia a 5 e 10 anos. E não a 4 anos e o próximo que feche a porta e se desenrasque...
Depois do planeamento penso que uma estratégia a adotar seria em investir em formas de gerar mais dinheiro. Olhando para os setores que mais impacto tem no PIB Português, uma das formas seria dar-lhes benefícios fiscais. Reduzir a carga fiscal das empresas seria uma boa opção a longo prazo. Pequenos setores que se estime que cresçam nesse período deviam ser também prioridade. Claro que isto seria em detrimento do desenvolvimento de outros setores também eles importantes, mas o país não pode andar apenas e só a correr atrás do prejuízo.
Seria uma técnica semelhante à utilizada no novo banco, separar o banco bom do banco devedor, "estancar" este último e posteriormente resolver o problema.
Outra seria incentivar à poupança da parte dos contribuintes. Uma boa educação financeira é um bom começo para que não se passem crises sociais tão violentas em momentos de crises financeiras.
Uma sociedade que poupa, tem uma boa educação financeira e permite que as suas empresas tenham mais liberdade, é uma sociedade que irá certamente aumentar a produção de riqueza de um país de forma sustentada.
Países que não tenham as contas muito desequilibradas podem recorrer ao endividamento, funcionando numa sistema parecido ao de alavancagem, mas isso num país pouco disciplinado pode resultar no oposto ao pretendido.
Para terminar, outra abordagem poderia ser o aumento de impostos, isto traz efeitos rápidos e, por norma, vem associado com o tal "aperto de cinto" que tentava explicar mais acima.
Muitas outras variáveis afetam o equilíbrio das contas de um país, não falei da justiça nem num investimento no setor primário, tentando criar uma economia autossuficiente e não tão virada para o mercado.
E muito mais poderia ser dito, as perguntas continuam a sobrepor-se e se continuar isto entra numa espiral de pensamentos confusos que não levam a lado nenhum...
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João Barros
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